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O dono de casa e a provedora – REVISTA BENDITA Edição 20 Março/Abril 2016


Marido é dono de casa e a mulher é a provedora

Por Barbara Schneider – Psicóloga

 

Estamos vivendo um momento de mudanças nos papéis do homem e da mulher tanto no que diz respeito aos sociais, quanto profissionais. Muitos são os relacionamentos que não seguem as regras vigentes e preestabelecidas de como os casais ”devem se organizar na vida cotidiana”.

Um casal onde o marido é dono de casa e a mulher provedora ainda nos causa espanto, e certa desconfiança com relação ao sucesso ou não do relacionamento. A curiosidade sobre como funcionam, o que muda neste tipo de relação, quais os pros e contras desse sistema, quais os perfis de casais que mais se adequam a este estilo de vida ou não e suas implicações na vida sexual do casal são questionamentos comuns   e que costumam rondar os casais.

Estão fora dos padrões da nossa sociedade machista e por vezes também feminista. De certa forma, fogem à regra, contradizem nossas aprendizagens de que o homem tem o papel de ser provedor. Esta escolha/acordo pode ser uma etapa/fase momentânea da vida do casal como também uma opção de organização conjugal e familiar duradoura. Mas vale lembrar que essa configuração – marido dono de casa e mulher provedora – não é uma regra e não são apenas estas mudanças que tem afetado os relacionamentos conjugais.

O casal maduro, com sucesso nesta forma de organização conjugal, capaz de manter uma relação com essa configuração de papéis tende a manter uma preocupação pelo parceiro, estimulado pelo amor e comprometimento e com expectativas negociadas. Esse sucesso é decorrente de uma relação conjugal que estabeleceu o que chamamos de “acordos secretos” entre o casal, acordos inconscientes que irão reger o modelo de relacionamento. Além desses acordos, que devem estar suficientemente afinados, conversados e ponderados, os casais fazem pactos, negociando adaptações mútuas como por exemplo quem será o provedor da casa.

É importante lembrar que embora a maturidade do casal não seja nenhuma garantia de estabilidade sem conflitos para o casal, um profundo comprometimento com uma pessoa e os valores e experiências de uma vida vivida a dois enriquecerão e protegerão a estabilidade do relacionamento.

Um homem seguro de sua masculinidade pode aproximar-se do universo das mulheres sem se sentir menos homem por isso, pode estar entre homens sem ter que contar vantagens, para se afirmar como tal, pode confiar na pessoa sem temer que ela o subjugue ou que ela o abandone. Mesmo que o homem/pai assuma tarefas e funções maternas, ele não pode ser confundido com a pessoa da mãe e nem com seu significado e seu valor emocional. Pois este é o grande ganho que a sociedade pode ter com essa mudança no papel, onde homens e mulheres se alternam nas responsabilidades e se complementam na construção da vida conjugal e familiar mais integrada e saudável.

A mulher por sua vez, também é capaz de selecionar um parceiro para si, com quem tenha inúmeras afinidades e com quem possa obter prazer. A satisfação em estar juntos permanecerá graças as demais áreas de interesse em comum, graças a estima e consideração pela pessoa do outro e graças ao bem-estar em compartilhar com ele os diversos recantos da sua própria intimidade.

Essa experiência pode ser fascinante e enriquecedora, desde que não signifique a perda de fronteiras ou sacrifício à individualidade que necessita ser mantida. O casal precisa ter clareza das escolhas, dos ganhos e perdas com essa opção de funcionamento para não “respingar” nas demais áreas da vida do casal. As expectativas necessitam ser comunicadas e esclarecidas para que áreas como a sexualidade do casal não sejam ancoradas nestes critérios.

O estabelecimento da confiança e os laços de apego criam espaço e clima para um crescente sentimento de bem-estar e oportunizam o compartilhamento, no qual continuam a se apresentar novos desafios, tanto no plano individual quanto no plano amoroso, sexual e familiar. O casal e a família estando suficientemente unidos, engajados, os torna suficientemente livres para estabelecerem inter-relações num plano mais amplo e com maior autonomia.

A maturidade coloca o indivíduo na posição de fazer escolhas e se responsabilizar por elas. É de se esperar que ele tenha um bom nível de contato consigo mesmo, autoconhecimento e de capacidade de provocar empatia, bem como um real interesse pela pessoa a quem ama. A partir disso, não há necessidade de se guiar por regras preestabelecidas, convencionadas pela sociedade como padrão, pois ele sabe fazer opções próprias, coerentes com sua pessoa, com sua hierarquia de valores e em parceria com quem mantem uma história de vinculo.

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