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Como a descoberta da gravidez influencia a vida da mulher


COMO A DESCOBERTA DA GRAVIDEZ INFLUENCIA A VIDA DA MULHER por Barbara Schneider

16/09/2016 |

A chegada de um filho muda a vida dos pais, é o que costumamos dizer. A Sleeper Baby Store trará quinzenalmente assuntos sobre gravidez e filhos com profissionais da psicologia! Para a estreia da Coluna da Psicóloga, a profissional Bárbara Schneider fala mais sobre como a descoberta da gravidez influencia a vida da mulher! Inspire-se!!

descoberta-gravidez-influencia-mulher-1A gravidez é um período de muitas mudanças para a mulher, por isso a descoberta é um momento único, vivenciado de maneira totalmente nova e sem precedentes. Se caracteriza por um período de transição biologicamente determinado (mudanças metabólicas complexas) e mudanças no papel social, gerando a necessidade de novas adaptações, reajustamentos intrapessoais e mudanças de identidade, levando a gestante experimentar muitas emoções e sentimentos que precisam ser permitidos e acolhidos.

 

Durante o período gestacional ocorrem profundas alterações fisiológicas que marcam significativamente o corpo da mulher, preparando-o para acolher, nutrir e trazer à vida um novo ser, no entanto, há também transformações psicológicas importantíssimas a serem consideradas.

descoberta-gravidez-influencia-mulher-2Seu corpo se modifica e seus níveis de hormônios se alteram para a manutenção do feto. Surge um novo foco na vida da mulher e com tantas novidades, essa fase pode acabar gerando dúvidas e sentimentos de fragilidade, insegurança e ansiedade na futura mamãe. Alguns dos principais temores vivenciados neste novo momento estão ligados às alterações na autoimagem corporal e não ter uma criança saudável. Outros temores são relacionados ao feto e à função de gerar, nutrir e parir. Tais temores podem desencadear fases de irritabilidade e de instabilidade de humor na grávida, que precisam ser compreendidos como naturais e compatíveis com a fase ansiogênica da experiência da maternidade.

O primeiro trimestre da gravidez em especial caracteriza-se por certa ambivalência, isso ocorre quando há a comprovação da concepção, o que põe em dúvida, independentemente do planejamento e do desejo da mulher por esta gravidez, a escolha de Ser Mãe. Além disso, esta se preocupa com a sua saúde para gerar um filho, e ainda com a aceitação de sua gravidez pelos que lhes são queridos. Um bom suporte pode ser proporcionado pelo companheiro, futuro pai, que trará segurança e confiança para a mulher.

Os sentimentos e emoções, sobressaltam e cabe ressaltar que a maternidade pressupõe não somente a capacidade de parir filhos, pois serão exigidas competências que nunca antes foram necessárias. Começam a surgir dúvidas quanto a capacidade de desenvolver a paciência, de oferecer dedicação ao outro, de desdobrar o tempo, de constatar que o outro é diferente, de aprender a esperar, de suscitar ideias, de tolerar a contrariedade e de aprender diariamente a amar. Sim, esta também é uma dúvida que surge com a maternidade, será que serei capaz de amar?

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Ser gestante envolve, desenvolver a maternagem, que é entendida como os cuidados materiais e biológicos com os filhos, ou seja, o exercer da criação em si das crianças, juntamente com a maternidade, que consta de algo mais amplo que se refere ao desejo da mãe de gerar uma criança e dar-lhe sentido de viver. E dessa forma a mulher cumprirá seu papel de mãe que cuida e também daquela que quer o bem de seus filhos, zelando e contribuindo para o crescimento, desde a gestação.

Nesse sentido, a mulher ao identificar sua gestação, passa a sentir-se Mãe. Passará a olhar sua importância e experimentar a sua influente presença em todos os aspectos que dizem respeito à vida de seu filho, assim como, ao longo do tempo, irá deparar-se com o desapego de estar pronta para ausentar-se em momentos que certamente farão com que ele se torne autônomo, íntegro, enfim um adulto que por meio da luta, do crescimento e do uso do que internalizou da capacidade materna de cuidar.

 

Para Ser Mãe a vida da mulher se modifica, surgem novos sentimentos e percepções e, junto a eles a necessidade de deparar-se com as novas situações, as quais exigem reestruturações psíquicas. A mãe vai se preparar também durante a gestação, para desenvolver o que Bowlby (1990) chama de ser uma base segura para o bebê na Teoria do Apego.  Dessa forma, a maternidade mesmo quando esperada e desejada, faz com que a mulher tenha de fazer uma adaptação frente a novidades. A sugestão da necessidade de um preparo para a maternidade e também paternidade, não é de todo ruim, pois prepara o momento de forma consciente para que não haja sofrimento para nenhuma das partes formadoras dessa experiência única de amor e troca.

Bárbara Ahlert Schneider

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